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| O resultado da votação da Comissão Especial de Inquérito (CEI) | 07/12/2007 | Hoje, na câmara de vereadores de Jataí, acompanhei mais uma lamentável sessão que entrará para a história política da cidade. Depois de aguardar por quase dez dias a votação do requerimento para instalação da Comissão Especial de Inquérito, me senti como um tremendo otário que gastou seu precioso tempo acompanhando aqueles debates que já estavam com as cartas marcadas. Enfim, no final da tarde de hoje, 6 de dezembro de 2007, mais uma vez a população de Jataí pode constatar que a maioria dos vereadores que compõe aquela casa de leis não são dignos da confiança da população.
São eles: Alcides Pelegrino, André Pires, Maria José, Abimael Silva e, claro, a presidente da câmara, vereadora Soraia, que mesmo não votando, permitiu ao longo das últimas sessões, todo tipo de intimidação aos proponentes da CEI, comandados por parte da “CLAQUE” enviada pela administração municipal, segundo denúncias dos vereadores Gênio e Ediglan.
A turma da pressão era composta dos “badecos” (tradicionais puxa-sacos), gente com pouquíssima educação ou totalmente privada desse requisito básico para o convívio social, tanto que, não contentes com todo tipo de xingamento durante as falas dos vereadores Ediglan Maia e Gênio Eurípedes durante as sessões, invadiram o plenário no início da semana e ameaçaram agredir os parlamentares.
Mas tinha também a turma da pressão da elite, pretensamente, mais polidos, mas que não se furtaram de se fazerem presentes e desempenhar aquele papel ridículo de tentar pressionar os vereadores para não aprovarem a CEI. Penso até que muitos deles se ofereceram para marcarem presença, pois seria uma rara oportunidade de demonstrarem para a sociedade jataiense que eles têm poder. São do tipo brega. Aqueles bem definidos pelo ditado popular: “quem nunca comeu melado se lambuza”. Esse tipo faz questão de chafurdar no melado e mostrar a cara toda melada. Lá estavam: Andréia Godoi - procuradora da prefeitura, Marco Aurélio – secretário de administração, Marta Orizono - presidente da Fundação Educacional de Jataí e outros tantos que não conheço, afinal, como diz o verso da canção "Zóio de Lula" da banda Charlie Brown Jr: “Eu tô sempre na área, mas eu não sou da tua laia não”.
As discussões sobre a CEI só foram abertas às 16:35. Ediglan Maia fez a leitura do documento que solicita a criação da comissão para investigar as denúncias de um contrato estabelecido entre a prefeitura e uma empresa que deveria realizar as podas de árvores, cuidar das praças e jardins da cidade. Entretanto, segundo a denúncia, a empresa teria emitido notas fiscais e a própria prefeitura executado as obras. A comissão deveria investigar as bases desse contrato. Enfim, a intenção era obter o máximo de informações que garantissem a sua transparência para a população. Segundo o vereador Ediglan Maia, as suspeitas se tornam ainda mais evidentes quando se percebe que os próprios moradores de Jataí têm executado as podas das árvores nas calçadas de suas residências ou contratado trabalhadores avulsos para realizar o trabalho.
Logo após a leitura do documento, Edigan Maia pediu um parecer jurídico dos advogados da câmara para saber, efetivamente, quantos vereadores seriam necessários para a aprovação do requerimento. Segundo as interpretações do vereador, há uma lacuna jurídica no regimento da casa de leis. Houve um debate em torno da questão, mas acabou prevalecendo o desejo da bancada da situação que queria colocar o requerimento em votação, imediatamente.
Naquela altura do campeonato, todos os vereadores da situação já sabiam de antemão que ganhariam. Isto porque o vereador Adilson de Carvalho do PMDB que, teoricamente, faz parte da bancada da oposição, iria votar com a base aliada do prefeito. Foi o que aconteceu. Como a presidente só votaria em caso de empate, o apoio do “glorioso” Adilson de Carvalho foi fundamental para o arquivamento da CEI. Resultado cinco votos contra e quatro a favor. Votaram a favor da criação da comissão os mesmos vereadores que haviam assinado o pedido: Gênio Eurípedes, Ediglan Maia, João Wesley e Geovaci Peres.
A discussão sobre os aspectos jurídicos quanto ao número de vereadores necessários para a aprovação da CEI durou mais de uma hora, entretanto, os debates com relação às denúncias que motivaram o requerimento para CEI, acabaram ficando para segundo plano. Foi aí que João Wesley pediu a palavra e enfatizou que os vereadores demonstravam mais preocupação com a organização jurídica da casa do que apurar as denúncias de corrupção da atual administração. Destacou: “eu fui eleito para fiscalizar se eles estão fazendo as coisas corretas”. Comentou ainda: “se uma empresa de Sertãozinho esta levando o nosso dinheiro e não executa as obras devidas, temos que investigar”. No final da sua fala clamou: “Nós temos que ter consciência”.
Geovaci Peres pediu a palavra e frisou que a situação era complexa, mas insistiu eles deveriam votar a favor do requerimento, afinal, havia um clamor da população pela apuração das denúncias, e que esta situação, estava desgastando a imagem daquela casa de leis.
Gênio Eurípedes por sua vez, contrapondo aos argumentos fajutos apresentados pela bancada da situação de que as denúncias já estavam sendo investigadas pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas, acrescentou que a CEI seria uma contribuição com esses órgãos citados para agilização do processo de investigação. Insistiu também que a investigação também é uma das funções dos vereadores.
Nessa altura do campeonato, Adilson de Carvalho ainda não havia aberto a boca. Pensei até que ele não o faria, diante do absurdo da sua posição nesse processo. Todavia, pediu a palavra para proferir esta “sábia” constatação: “logicamente, se eles fizeram as suas denúncias no Ministério Público e no Tribunal de Contas, a CEI é chover no molhado”. Nesse exato momento, foi aplaudido pela CLAQUE enviada pela administração.
Mas o pior da situação foi que o vereador Adilson de Carvalho, não contente em apenas dizer essa tremenda imbecilidade, foi além. Fez questão de ressaltar: “Fui eleito para trabalhar. Fico envergonhado de ser jataiense por tudo que está acontecendo. A população não merece o que está acontecendo na câmara...essas picuinhas. Se não apuramos nada em três anos, um ano agora é pouco”.
Depois desse festival de agressões à inteligência dos cidadãos jataienses, a presidente da câmara, vereadora Soraia Rodrigues, abriu a votação. O resultado todos já sabem.
Antes do fechamento dos trabalhos, o vereador Gênio fez questão de enfatizar a sua indignação com a distribuição na câmara de vereadores, antes da sessão, do jornal Poderes, que traz uma matéria de página inteira intitulada: “Um Gênio da Imoralidade”. Segundo o vereador, a matéria deve ter custado algo em torno de sete mil reais ao interessado em sua publicação. Ele fez questão de ressaltar que todas as denúncias são infundadas. Inclusive, sugeriu a bancada do prefeito que entre com um requerimento pedindo uma CEI para investigar aquelas denúncias mencionadas no “jornal”. Disse ainda que, caso eles tomem essa iniciativa, ele será o primeiro a assinar o requerimento.
Ediglan Maia, Geovaci Peres e João Wesley fizeram um pronunciamento demonstrando solidáriedade ao vereador Gênio Eurípedes. Sendo que João Wesley solicitou ao vereador Alcides Pelegrino, líder do prefeito na câmara, que aconselhe os responsáveis por esse tipo de publicação para que não dessem continuidade, pois além de ferir a honra do vereador sem nenhuma prova, também desgastava a imagem de Jataí dentro e fora do estado. O jornal é distribuído em Goiás, Tocantins e Brasília.
Assim terminou mais um lamentável capítulo da história política de Jataí. O enredo é muito simples: a maioria dos vereadores eleitos pelo povo para fiscalizar as ações do executivo municipal, são os mesmos que montaram uma operação de “blindagem” do prefeito para impedir que as denúncias de supostas irregularidades não fossem investigadas.
Marquinho Carvalho
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