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| Indignação e Revolta | 07/12/2007 | Indignação e revolta, esses são os sentimentos da população de Jataí contra os vereadores que votaram contra a instalação da comissão que iria investigar as denúncias de supostos atos de corrupção da atual administração. Felizes, somente àqueles que lotaram a câmara, enviados pelo poder, segundo denunciou Gênio Eurípedes e Ediglan Maia. Esses, saíram comemorando aos gritos do auditório do legislativo. Será por que? O que eles temiam caso fosse aprovado a CEI?
Essas perguntas ficarão sem resposta, pelo menos por enquanto. Mas uma afirmação podemos fazer sem receio: ficou estampando o interesse da atual administração em sufocar mais esse pedido de investigação. Aquele velho ditado: “quem não deve não teme”, nunca esteve tanto em voga em Jataí.
Agora a população pergunta: Porque a CEI não foi aprovada, mesmo diante de denúncias tão contundentes? A resposta é a mais simples possível. O quadro atual do legislativo de Jataí é, possivelmente, o pior da nossa história política. Temos algumas pessoas compondo o quadro de vereadores que não tem o menor preparo intelectual para estarem sentados naquelas cadeiras.
Apresentarei em seguida uma análise do perfil dos vereadores que compõe o quadro atual do legislativo jataiense. Tomarei como base as suas atuações no caso do requerimento da Comissão Especial de Inquérito.
MARIA JOSÉ
Vejam bem, a vereadora Maria José, a qual denominei de “Manoel Europa de Saias”, fazendo alusão ao folclórico Manoel Europa, que ocupou uma cadeira na câmara Municipal de Jataí. Ele era semi-analfabeto, entretanto, esse não era o fator que mais pesava contra ele. Até porque conheço muita gente analfabeta que é extremamente inteligente. Não é o caso dessa senhora. Só para que vocês tenham uma idéia, já acompanhei mais de duas dezenas de sessões da atual câmara e, no entanto, só ouvi a “nobre” vereadora fazer uso da palavra quando foi designada para fazer a oração na abertura dos trabalhos. Então, conclui que a população meteu cinco mil votos nessa senhora para ela fazer orações no plenário da câmara e votar, cegamente, as propostas do prefeito.
Na sessão de ontem, ela protagonizou uma cena que seria muito engraçada, se não fosse trágico para a população de Jataí. A presidente Soraia Rodriges ainda não havia concluído a frase que abriria a votação e a vereadora Maria José deu um salto abrupto de sua cadeira, para manifestar o seu voto contra a CEI. Parecia até que havia uma mola no assento que seria acionada por controle remoto caso a senhora Maria José não entendesse o encaminhamento da presidente. Pensei que a “nobre” vereadora iria bater com a cabeça no teto, tamanha a sua disposição para dizer não às apurações das supostas irregularidades da atual administração. Justo ela que é tão “discreta” durante os debates nas sessões da câmara. Leia-se: entra muda e sai calada.
ADILSON CARVALHO – “A população não merece o que está acontecendo na câmara”
Ontem eu cheguei a me emocionar diante do discurso desse “glorioso” vereador. Ele proferiu as seguintes palavras: “fui eleito para trabalhar. Fico envergonhado de ser jataiense por tudo que está acontecendo. A população não merece o que está acontecendo na câmara....essas picuinhas. Se não apuramos em três anos, um ano será pouco”. Certamente, estas palavras jamais serão esquecidas, afinal, foi a fala mais apropriada dentre todos os discursos que ouvimos ontem no plenário da câmara. Faço coro com o vereador Adilson Carvalho. Também sinto vergonha de ser jataiense por tudo que está se passando na câmara municipal e a população, decididamente, não merece o que está acontecendo no legislativo municipal. Ele só não foi perfeito porque não concluiu afirmando que os cidadãos jataienses não mereciam ter um vereador como ele próprio, um dos responsáveis pela enorme vergonha que sentimos nesse momento.
Mas com relação a esse senhor, estou de alma lavada. Conheço há bastante tempo a sua família, gente de bem que ajudou a construir a nossa cidade. Pois bem, seu irmão, o conhecido Gilson da Loteria, com uma vida de trabalho correto em Jataí, esteve presente na câmara no dia de ontem. Sentou-se nas cadeiras do auditório da câmara e, certamente, envergonhado com toda aquela situação e ainda não suportando o atraso de uma hora para o início da sessão, retirou-se daquele espaço. No percurso até a saída do prédio da câmara municipal encontrou-se com seu irmão Adilson Carvalho. Na oportunidade proferiu as seguintes palavras: “Não desonre a nossa família”. Mas pelo visto, o irmão vereador não pode atender o pedido do irmão trabalhador.
Adilson Carvalho – Filantropia Eleitoreira
O vereador Adilson Carvalho fez questão de enfatizar que ao longo dos seus quinze anos como vereador, sempre foi nas comunidades pobres pedir o voto daquela população e que, ocupando o cargo de vereador nunca se furtou em ajudá-los. Disse ainda que já teve que se desfazer de alguns imóveis adquiridos na década de setenta para auxiliar os mais pobres. Inclusive, frisou que aprendeu a fazer esse trabalho com a vereadora Cidália Vilela.
Linda a atitude do senhor vereador! No entanto, mesmo estando em seu quarto mandato consecutivo, ainda não aprendeu que o seu papel não é tirar dinheiro do bolso e sair distribuindo aos pobres. Ele foi eleito para criar leis que favoreçam a geração de emprego, contribuir para melhorias no atendimento à saúde pública e na educação. Mas acima de tudo, fiscalizar as ações do executivo municipal, coisa que ele se recusou a fazer ao votar contra a CEI.
Talvez esses tipos de políticos não saibam que se não existisse tanta corrupção, o dinheiro chegaria em forma de benefícios efetivos e estruturais aos mais pobres. Algo como ensinar a pescar e não dar o peixe. Pois com espaços urbanos bem planejados, uma educação decente, um bom estado de saúde e espaços para lazer, a população se desenvolveria com seus próprios esforços. Mas é provável que saibam de tudo isso, afinal, criando essas condições básicas para o desenvolvimento humano, eles não conseguiriam mais se eleger, pois sua política de filantropia em troca de votos não teria mais espaço em nossa sociedade. Só aí ficaríamos livres dessa gente que se promove devido à desgraça alheia.
Mas eu acredito que poderemos ficar livres do vereador Adilson Carvalho a partir de 2008. Creio que ele deve fazer um curso de recapacitação em conserto de relógios, sua antiga profissão, pois ele deve encerrar, ao final do ano que vem, a sua carreira de vereador. Isto porque, ontem, obtive a informação de um membro da executiva do PMBD, que a ata da última reunião do partido, já assinada por todos os membros da executiva, pedi a sua expulsão da legenda. Imaginem que esta decisão da executiva havia sido deflagrada, antes da tomada de posição do vereador em favor do atual prefeito. Certamente, ele já é carta fora do baralho. A minha fonte,assegurou também que o prefeito Humberto Machado não aceitará a presença de Adilson Carvalho em seu palanque na campanha para prefeito.
Lembrando que o político que não mudou partido com um ano de antecedência, não poderá se candidatar por outra legenda nas próximas eleições. Portanto, caso ele venha ser expulso, não poderá se candidatar. Aí ele terá que torcer e trabalhar muito para a reeleição do atual prefeito e batalhar por um cargo na futura administração, caso contrário, os relógios o aguardam.
ABIMAEL SILVA
Esse vereador esteve presente na sessão de ontem? Confesso que, mesmo permanecendo quatro horas naquele auditório, por pouco não saio sem perceber a sua presença. O “glorioso” vereador “entrou mudo e saiu calado”, literalmente. Ele só se manisfestou na hora do voto, mesmo assim, não foi preciso dizer nenhum palavra. Bastou se levantar para confirmar o seu voto contra a CEI.
Ele só é bom com a palavras quando narra as desgraças dos pobres que cometem violência e dos que sofrem violência em nossa cidade. Mais um que ocupa o cargo de vereador e não cumpre o seu papel com a dignidade devida. Foi mais um que impediu a instalação da CEI e o esclarecimento se a verba de mais de um milhão de reais destinados às podas de árvores em Jataí teria sido utilizada de maneira correta. Mais um que contribui, indiretamente, com a manutenção das misérias físicas e morais de nossos irmãos mais pobres. Todo esse dinheiro que pode não ter sido empregado honestamente, poderia ser investido na melhoria do presídio em Jataí e na educação, talvez daqui alguns anos, reduziríamos os crimes em Jataí.
ALCIDES PELEGRINO
Outro que já fez da câmara municipal uma extensão de sua residência. Sempre teve sonhos de poder, no entanto, por não ter o menor carisma, nunca vai passar de vereador. Na atual gestão, ocupou a secretaria de saúde. Foi uma tragédia. Chegou a propor o fechamento dos postos de saúde por quinze dias. Imagine se esse senhor tem alguma preocupação com os pobres de nossa cidade, a não ser no período eleitoral, quando necessita dos seus votos. Aí ele põe toda sua família para percorrer os bairros pobres em busca do tão almejado voto que o colocará mais uma vez na câmara municipal.
Na atual administração ele conseguiu bastante destaque. É o líder do prefeito na câmara municipal. Portanto, na sessão de ontem foi o encarregado de evitar, a todo custo, a criação da CEI. Não teve muito trabalho, afinal, contou com a inestimável contribuição de Adilson Carvalho. Mas o que mais me chamou a atenção foram seus argumentos de que as denúncias já estavam sendo investigadas pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas. Ora, tenha a santa paciência! Fiscalizar as contas do executivo é uma das principais funções do legislativo. Então, se é para transferir essa responsabilidade apenas para esses órgãos citados, podem diminuir ainda mais o número de vereadores e, com essa verba, o governo poderia contratar mais pessoas para atuarem no ministério público. Que aliás, diga-se de passagem, o Ministério Público tem sido importantíssimo para passar o Brasil à limpo. A maioria absoluta das investigações de denúncias contra políticos, tem sido muito bem executadas por esse pessoal. Mas isso não impede que os vereadores façam o seu trabalho. Como frisou, muito bem, o vereador Gênio Eurípedes, a câmara pode se antecipar e contribuir com as investigações dos supostos atos de corrupção do executivo.
GEOVACI PERES
Cumpriu o seu papel de vereador da oposição no caso da CEI. Todavia, demonstrou logo no início da sessão que estava mais preocupado com a eleição da mesa diretora da casa do que com a votação da CEI. Ainda durante a leitura da ata da sessão anterior, o vereador Geovaci Peres solicitou uma “questão de ordem”, a qual foi questionada pelo vereador Alcides Pelegrino, se seria mesmo o caso de uma “questão de ordem”. Mesmo a gente não tendo estudado o regimento interno da câmara, ficou claro que, no mínimo, aquele não era o momento ideal para fazer aquelas colocações. Incrível, mas este é outro que ocupa o cargo de vereador há mais de uma década e ainda não aprendeu os procedimentos da casa.
Geovaci Peres, apresentou a proposta de formação de uma chapa única para concorrer à mesa diretora da câmara. Ele comentou os desentendimentos entre alguns vereadores, confundindo, claramente, o que é pessoal e o que é político. Creio que ele se esquece que eles foram eleitos para representar a população e que, portanto, é natural que surjam enfrentamentos entre os interesses de alguns grupos em detrimento dos anseios populares. Todavia, esses enfrentamentos deveriam acontecer apenas no campo das idéias. Como diria o grande teatrólogo e cronista social, Nelson Rodrigues: “toda unanimidade é burra”. Pelo visto, o vereador vive no “país das maravilhas”.
Como todos podem perceber, os últimos embates na câmara, não se tratam de brigas pessoais, como sugere o lamentável discurso do vereador Geovaci. O que estava em jogo, ou pelo menos deveria estar, era a preservação da moral e da ética do quadro do atual legislativo jataiense, dividido entre os que querem atender aos anseios populares pela transparência na gestão dos recursos públicos na atual administração e àqueles que, se recusam a permitir que os cidadãos tenham direito de saber se os seus impostos pagos estão sendo aplicados de maneira honesta.
ANDRÉ PIRES, O TRAPALHÃO
Mais uma vez teve uma participação digna do apelido que lhe dei. Agora, não o confundam com a personagem inesquecível: Didi, o Trapalhão, criado pelo comediante Renato Aragão. O artista é o deboche para nos alegrar. No caso do vereador André Pires, suas trapalhadas surgem na medida que tenta alçar o poder, portanto, nos envergonham.
O seu discurso lamentando o que ele chama de traição, por não ter o apoio dos colegas da oposição para sua eleição, chega a nos enojar. Ora, que acordo é esse que loteou a presidência da câmara de vereadores com quatro anos de antecedência. Talvez por isso mesmo, o vereador Geovaci Peres deve estar tão frustrado com os embates. Há indícios que ali era uma harmonia total e, pelo visto, a opinião da população era o que menos importava. Certamente, o vereador André Pires passou esses três longos anos, sonhando com o momento se sentar na cadeira de presidente da câmara, e agora, pressente que ele não poderá se realizar. Mais uma demonstração de que os interesses particulares estão acima dos interesses da comunidade.
JOÃO WESLEY
Teve uma postura integra durante todos os debates. Não falou muito, porém, quando o fez, demonstrou equilíbrio e sensatez. Também cumpriu o seu papel como vereador de oposição, entretanto, não teve uma postura obtusa. Foi bastante incisivo quando se dirigiu ao vereador Alcides Pelegrino e questionou a sua postura de orientar os companheiros de bancada para votarem contra uma investigação. Cobrou consciência dos colegas vereadores.
GÊNIO EURÍPEDES
Quase um Dom Quixote dentro da câmara. Certamente, o vereador mais atuante dessa legislatura. Tem pautado o seu trabalho com muita dedicação. Já encaminhou diversos requerimentos que beneficiaram a comunidade jataiense. Alguns deles geraram muita polêmica, principalmente, o que acabou com os bingos em Jataí. O último requerimento apresentado por ele foi, justamente, o pedido da CEI. Como maior porta voz dessa solicitação, já que ele vêm apresentando denúncias contra a atual administração há bastante tempo, é o que está sendo mais atacado pela estrutura de poder da atual administração. Creio que o seu trabalho correto, em favor da comunidade, é que tem mais tem desagradado os homens do poder.
Ele não tem “papas na língua”. Na sessão de quinta-feira passada, ele disse em alto e bom som: “nunca se viu tanta roubalheira e bandalheira como na atual administração”. Por essas e outras que lamentamos tanto a não instalação da Comissão Especial de Inquérito.
EDIGLAN MAIA
Político perspicaz, soube a hora certa de abandonar o barco da atual administração que, é bom relembrar, ele foi um dos principais responsáveis pela chegada ao poder. Juntamente, com o vereador Gênio Euripedes, tornou-se o mais ferrenho opositor do atual prefeito, mediante as supostas irregularidades atribuídas a esta gestão.
Ediglan, tem uma excelente oratória e consegue expor com muita clareza o seu ponto de vista. Um bom exemplo foi na sessão de ontem, antes da votação da CEI. Ele apontou lacunas no regimento da casa na observância do número de votos necessários para a aprovação da CEI. No seu entendimento, seria maioria simples, um terço dos vereadores, ou seja, com apenas quatro votos seria instalada a comissão para investigar as contadas do poder executivo. A oposição defendeu a maioria absoluta, ou seja, seis votos. A presidente, não aceitou os seus argumentos e encaminhou a votação.
O vereador é também uma figura política que recebe muitos questionamentos na cidade de Jataí. Tem muitos desafetos, mas, em detrimento disso, mantém sua altivez e consegue se preservar dentro das possibilidades.
Um bom exemplo tem sido a sua atuação como opositor da administração que ele ajudou a colocar no poder. Ele está conseguindo descolar a sua imagem da atual gestão com boa desenvoltura. Certamente, temos pensamentos políticos bastante diferentes, mas respeito a sua capacidade intelectual. Pelo menos ele não age como se todos nós fossemos imbecis.
SORAIA RODRIGUES
Faz parte da base de aliada do prefeito.Escapou ilesa do processo encaminhado pelo vereador André Pires. Conquistou a presidência da câmara municipal sem muitos problemas, já que a sua eleição fazia parte daquele acordo formalizado entre os partidos no início dos mandatos. Inclusive, contou com o voto do Andre Pires, o Trapalhão.
Comparando o apoio de André Pires a Soraia Rodrigues na eleição para a mesa diretora da câmara, seria o mesmo que, você acusa alguém de roubar a sua casa e, meses depois, contrata o suposto ladrão para ser seu vigilante.
Na minha opinião, faltou austeridade da vereadora na condução dos debates em torno da instalação da CEI. Permitiu que muitos populares presentes nas sessões ultrapassassem todos os limites de civilidade. Constantemente os vereadores Gênio Eurípedes e Ediglan Maia eram vaiados e ela apenas pedia silêncio. Essa falta de austeridade, quase contribuiu para que ocorressem cenas de violência. Sem a presença de policiais no auditório, os mais exaltados invadiram o plenário da câmara e ameaçaram agredir os vereadores que acusavam o prefeito.
Como presidente da câmara, tem implementado algumas ações para aproximar o legislativo da comunidade. Mas não a vejo como uma política idealista, longe disso, na verdade, creio que seu maior mérito é saber utilizar os altos recursos que são disponibilizados para o legislativo e, evidentemente, colocando sua imagem de empreendedora no foco da mídia.
Teve uma atuação, no mínimo, omissa, na apreciação do requerimento que pedia a instalação da CEI. Não sofrerá tantos desgastes com a não aprovação da CEI porque não teve que votar. Agora, caso o vereador Adilson Carvalho tivesse votado a favor, teria ocorrido um empate. Aí sim a história seria diferente porque, como presidente da câmara, ela teria que decidir com o seu voto de “Minerva”.
Marquinho Carvalho
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