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Marquinho Carvalho
  Yes, Nós Temos Pelé
  10/06/2008 | Num país com dimensões continentais como o Brasil e que o futebol é a maior paixão popular e, além disso, é a pátria de Pelé, o maior jogador de futebol de todos os tempos, imaginem quantos “Pelézinhos” despontaram pelos milhares de campos de terra ao longo dos últimos cinqüenta anos. Sim, porque o genial Pelé apareceu para o mundo e para os brasileiros na Copa do Mundo da Suécia em 1958. De lá pra cá milhares de garotinhos negros bons de bola ganharam o apelido de Pelé.

Em Jataí não poderia ser diferente. Certamente, tivemos diversos “Pelézinhos” jogando descalços nos campos de terra da Cidade Abelha. Entretanto, um deles fez história e se tornou, possivelmente, o maior atacante do futebol Jataiense. Estou falando do nosso inesquecível “Pelé”, registrado como Luiz Mário.

Conheci o adolescente Luiz Mário Sousa Silva na paróquia São Sebastião. Entrei no grupo de “coroinhas” da igreja no final dos anos setenta. Ele já estava por lá havia vários anos e, praticamente, encerrando a carreira de auxiliar dos padres durante as missas. Mas também não era pra menos, pois o jovem atacante já tinha atingia naquela época os seus 1,80 cm de altura, portanto, já se tornava estranho aquele “baita” homem vestido de batina de coroinha.

Já o Luiz Mário-“Pelé”, conheci em 1976, assistindo a uma partida de futebol juvenil no antigo campo de terra do “Guarani”, praça esportiva que levava esse nome em função do tradicional time amador do Guarani, dirigido pela folclórica Dona Éster. Hoje, nesse local está edificado a Catedral Divino Espírito Santo.

Naquela distante tarde de sábado de inverno de sol quente e muita poeira levantando do campo, lá estava o nosso Pelé. Nessa época ele tinha 15 para 16 anos de idade. A partida era entre o time organizado e treinado pelo já falecido advogado Wilson Veado Filho (não me recordo o nome) e o forte time do Fluminense do Gaspar. A equipe do senhor Wilson nunca fora muito forte, pois ele priorizava a garotada que residia próximo à sua casa, da qual fazia parte os seus filhos adolescentes, Ayalan Borges e Wemerson Borges (o último foi meu colega de classe e amigo durante anos no colégio Bom Conselho e no Carlos Chagas, atual Invest).

Nesse jogo eu fiquei boquiaberto com o talento do Pelé. Ele era disparado o melhor em campo. Todavia, um lance em especial me deixou deslumbrado. Não há de ver que o Pelé dominou a bola fora da grande área, adentrou driblando todos os defensores, inclusive o goleiro, e quando chegou livre na marca do gol decidiu retornar com a bola até o meio da grande área e iniciou novamente o “balé” de dribles incríveis até chegar novamente na cara do gol e marcar um belíssimo gol. A partida terminou com o histórico placar de 24 a 0 em favor do time de Pelé, o que evidencia o enorme superioridade técnica do seu time, entretanto, isso não diminui em nada a proeza do jovem atacante.

Anos depois, lendo sobre as “diabruras” de Garrincha pelos gramados do mundo, soube que ele havia feito algo semelhante. Claro que não podemos comparar os feitos em razão das diferenças óbvias, porém, o feito do nosso Pelé nunca saiu de minha memória. Imaginem, eu que lutava tanto pra fazer um golzinho sequer, quando o vi retornar com a bola que já tinha endereço certo, fiquei alucinado. A partir desse dia passei a acompanhar Pelé, sempre que podia, pelos campos da cidade.

Pelé era o que poderíamos denominar do autêntico centroavante “rompedor”. Dentro da grande área ele era decisivo. Embora fosse destro, sabia bater também com a perna esquerda. Era bom finalizador e também cabeceava muito bem. Tinha passadas largas e driblava em velocidade, deixando os zagueiros pelo caminho. Um bom exemplo para ilustrar a performance de Pelé como atacante é a do maior artilheiro do campeonato brasileiro, Roberto Dinamite, ídolo do Vasco da Gama. Ambos tinham, presença de área, bom cabeceio, domínio de bola, frieza nas finalizações e sabiam chutar.

Pelé fez história atuando nos campeonatos amadores de Jataí vestindo a camisa do Vila Nova (tradicional time dos padres da Igreja São Sebastião) durante vários anos e, geralmente, conquistando a artilharia das competições. Atuou também pela Associação Esportiva Jataiense até que ser contratado pelo autêntico Vila Nova, time tradicional de Goiânia.

Jogando pelo Vila Nova adotou seu nome de batismo, Luiz Mário. O seu contrato com a equipe vilanovense vigorou do final de 1980 até o início de 1983, quando regressou a Jataí. Entretanto, durante o tempo que manteve o contrato com o Vila Nova, foi emprestado ao Novo Hamburgo do Rio Grande do Sul e o Operário de Dourados do Matogrosso do Sul. Naquela época o futebol brasileiro estava recheado de craques de norte a sul do País e não se pagavam os altíssimos salários como os que são pagos atualmente para os jogadores e, muito menos, os grandes clubes tinham as estruturas que foram montadas nos últimos tempos. Talvez por isso mesmo, ele não tenha se firmado no futebol profissional. Mas de uma coisa eu tenho absoluta convicção, o nosso Pelé foi muito melhor do que Aluísio, Souza, Cristian, Borges e tantos outros que fizeram e fazem tanto sucesso no futebol brasileiro.

Ele não atuou muito tempo como titular do time do Vila Nova, entretanto, cravou seu nome na história do futebol brasileiro num jogo valendo pelo Campeonato Brasileiro de 1981. A partida aconteceu no estádio Serra Dourada entre Vila Nova x Colorado (antigo time de Curitiba que se juntou ao Pinheiros e deu origem ao atual Paraná Clube). O Vila Nova venceu por 2 a 1 e Pelé deixou a sua marca. Um belíssimo gol de perna esquerda, batido de fora da grande área, numa jogada característica do então, Luiz Mário. Ele deu um drible seco no zagueiro e abriu o espaço para o chute cruzado, certeiro, no canto direito do goleiro Joel Mendes.

Mas qual foi a surpresa pra nós jataienses que adorávamos futebol naquela época? Todas as noites de domingo, logo após o programa Fantástico, a Globo exibia o tradicionalíssimo “Gols do Fantástico”. Onde quer que a gente estivesse dava-se um jeito para acompanhar os gols da rodada dos campeonatos pelo Brasil. Naquela noite veríamos os gols do campeonato brasileiro na expectativa de ver o gol do Pelé, digo, Luiz Mário, na vitória do Vila Nova. Fomos agraciados com os gols desta partida. Assistimos, encantados, o belíssimo gol.

Como já era tradição no programa, sempre ao final da exibição dos gols, a produção escolhia o famoso “gol da rodada”. Elegiam o gol mais bonito daquele final de semana de futebol pelo Brasil. Para nossa surpresa e grande alegria, naquele domingo o gol mais bonito de todo Brasil foi marcado por Luiz Mário na vitória vilanovense sobre o time do Paraná.

Foi realmente “fantástico” ver Luiz Mário, o nosso Pelé, sendo eleito o autor do gol mais bonito do Brasil. Naquela noite dormimos orgulhosos de sermos jataienses, afinal, de certa forma éramos todos artilheiros da rodada graças ao nosso conterrâneo.

Viva Luiz Mário, o maior atacante jataiense de todos os tempos! Viva o nosso Péle!

Marquinho Carvalho




Marquinho Carvalho



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