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Marquinho Carvalho
  “Rodas Limpas”
  24/06/2008 | Assim como o atual prefeito que entrará para a história de Jataí como a pior administração de todos os tempos, além é claro, dos escândalos de utilização indevida dos recursos públicos denunciados na Câmara de Vereadores, mas que, infelizmente, não puderam ser investigados porque a maioria dos vereadores, os ditos “fiscais” da população, votaram contra a instalação da CPI.

Por isso mesmo é que na Câmara de Municipal estão os outros políticos que também entrarão pra história de Jataí como os piores vereadores que já ocuparam as cadeiras do nosso legislativo. Entre CPI’s arquivadas, prédio da Câmara sendo fechado à população pelo vereador Alcides Pelegrino e a “confusão” total na eleição da mesa diretora e presidência da casa, evidenciou de maneira inequívoca, a incompetência e falta de compromisso dessa legislatura com a população que os elegeu.

Na gestão dos atuais vereadores foram feitas tantas doações de áreas públicas do município que poderíamos até afirmar que houve uma verdadeira “reforma fundiária urbana”. Pena que essa “reforma” só atendeu aos interesses de empresários e instituições que poderiam muito bem pagar pela aquisição das mesmas. Entretanto, utilizando-se daquele velho e manjado discurso de que a instalação dessas empresas trarão “progresso” para a cidade, a Câmara Municipal autorizou a prefeitura a fazer as tais doações das áreas públicas.

Mas agora eles ultrapassaram todos os limites do bom senso. Numa votação unânime, no último dia 11 de junho, os vereadores aprovaram o asfaltamento da área interna do pátio da Associação Recreativa Campeira do CTG (Centro de Tradições Gaúchas). Conforme o projeto, serão pavimentados 6.197,4 metros quadrados, ao custo de R$ 124.892,49.

Imaginem quantas obras de grande alcance social para as comunidades mais pobres de nosso município não poderiam ser feitas com essa verba. Mas os nossos vereadores optaram para fazer essa “graça” para a classe mais bem sucedida economicamente de nosso município.

Por exemplo, a vereadora e professora Soraia Rodrigues poderia apresentar um projeto para a aquisição de milhares de livros para a Biblioteca Municipal e desenvolver uma ampla campanha nos meios de comunicação de Jataí para incentivar as nossas crianças e adolescentes à prática da leitura.

Vejam o caso do Clube 13 de maio, o único espaço de lazer para os idosos de nossa comunidade. Poderia ser instalado o sistema de ar condicionado no salão, já que os bailes são realizados durante o dia e o ambiente chega a ser insalubre, devido às altas temperaturas ambientes registradas no interior daquele salão. Poderiam também, ampliar os espaços e as atividades de lazer naquele clube para atender aos idosos nos demais dias da semana. Por que não a construir de uma piscina para a prática da natação e hidroginástica para os idosos?

O “14”, clube criado ao lado do 13 de maio, que promove bailes populares nas noites de sábado e que, portanto, realiza um grande trabalho social em favor da diversão dos jataienses mais pobres, poderia ter o seu telhado trocado, já que o mesmo é feito de zinco, o que torna o ambiente bastante quente. Não seria de bom tom que os vereadores apresentassem um projeto que melhorasse as condições de lazer dessa parte da população que se diverte nesse espaço? Porque não aprovarem, também, a liberação de verbas para a instalação do sistema de ar condicionado no clube?

E o que dizer do Clube Balneário Brasnipo? Lá acontecem todas as sextas-feiras uma grande festa popular para a comunidade jovem de nossa cidade. Considero um dos espaços mais cosmopolitas de Jataí. Já tive a oportunidade de freqüentar o local e confesso que me senti como se estivesse num baile popular do Rio de Janeiro ou São Paulo, tamanha a diversidade cultural do público presente. Todavia, o clube não oferece tratamento acústico e som da festa acaba atrapalhando os bairros vizinhos. Portanto, a Câmara poderia apresentar um projeto para custear a instalação dos meios necessários que evitem a propagação do som para fora do salão. Novamente, outra alternativa para assegurar a diversão da população mais pobre e o sossego para os vizinhos do clube.

Como vocês perceberam, mesmo sem uma análise mais profunda, podemos encontrar várias alternativas, devidamente apropriadas e justas, para o investimento da vultosa verba que será destinada ao CTG. Entretanto, os vereadores jataienses preferem contemplar a elite gaúcha que se enriquecesse cada vez mais com a valorização da soja e que, a partir de agora, não terão mais que sujar as rodas de suas fantásticas caminhonetes no pátio do seu clube quando forem até lá para se divertir.

Na votação desse projeto até a vereadora Maria José tratou de justificar o seu voto. Que maravilha, até que enfim descobrimos que esta senhora tem o dom da palavra! Pena que ela não o utilize para defender as pessoas pobres que a elegeram para representá-los, ao contrário, contribuiu para que essa verdadeira fortuna fosse destinada para asfaltar um clube privado, quando poderia sugerir o investimento de parte desses recursos para atendimento de dezenas de pessoas com problemas de saúde e que precisam se locomover para Goiânia para realizarem seus tratamentos e comprarem medicamentos caríssimos.

A vereadora Maria José, assim como os demais vereadores, justificaram seus votos ressaltando a importância da contribuição dos sulistas para o desenvolvimento do município. Ora, meus caros cidadãos jataienses, o fato da comunidade gaúcha ter contribuído com o “tal progresso”, não justifica jamais, esse “presente” do executivo e do legislativo municipal. Afinal, é bom lembrar que a maioria desses imigrantes que aqui chegaram se enriqueceram bastante cultivando grãos em nossa região e, portanto, são capazes de bancar com seu próprio dinheiro a execução dessa obra de caráter privado.

Por isso é que eu espero que na próxima eleição a comunidade jataiense tenha memória e saiba valorizar o seu voto. Precisamos de vereadores que tenham coragem e decência para enfrentar o executivo quando isso se mostrar necessário, o que não ocorreu na tentativa de se instalar a CPI para averiguar denúncias contra a atual administração e, fundamentalmente, que representem a população que não tem “voz” e acesso direto ao poder.

Vamos trabalhar para eleger vereadores compromissados com a população mais pobre e que tenham iniciativa e criatividade para elaborarem projetos que não atendam somente os grupos mais influentes de nossa sociedade. Afinal, todos nós pagamos impostos e queremos ver esse dinheiro sendo investido em obras que tem maior alcance popular.

Marquinho Carvalho




Marquinho Carvalho



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