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Marquinho Carvalho
  “A Iminência Parda”
  29/06/2008 | O termo “iminência parda”, bastante utilizado na política traduz o poder de alguma pessoa que atua nos bastidores. Geralmente, essa pessoa não aprece para o público personificando o poder, entretanto, atua com muita propriedade nas estratégias para conquistá-lo ou, simplesmente, para mantê-lo nas mãos do grupo que ele apoia.

A política jataiense teve nos últimos anos a sua “iminência parda”. Trata-se do empresário Victor Priori. Sempre que se falava da carreira política de Maguito Vilela, principalmente, nos tempos de governador, surgiam comentários da influência política do empresário. Ele esteve ao lado do PMDB até o princípio da derrocada do partido nas últimas eleições para prefeito de Jataí.

Faltando poucas semanas para a data das eleições ele abandonou o “barco” do PMDB e se aliou ao, então candidato, Fernando Peres, constatanto a sua provável conquista da prefeitura, fato que acabou acontecendo.

Recordo-me com muita clareza do depoimento do atual prefeito no momento de sua eleição, afirmando que havia ficado muito feliz com a adesão do empresário na reta final da campanha. Como um bom provinciano que se encanta com a aproximação de um representante da elite, o prefeito eleito, certamente, não fazia a leitura que a maior parte da população pensante fazia naquele momento, ou seja, a de que o astuto empresário, vendo o “barco do PMDB” naufragar nas eleições municipais, tratou de, rapidamente, saltar para a “nova embacação” que iria comandar os destinos da cidade durante os próximos quatro anos.

Agora, prestes a iniciar o novo período eleitoral com vistas a escolher o próximo prefeito de Jataí, a “iminência parda” chamada Victor Priori decidiu, não só abandonar o “barco” do atual prefeito, solapado por duras ondas de denúncias de corrupção e uma administração reprovada pela imensa maioria da população (“a vaia do povo é a voz de deus), resolveu deixar de ser a “iminência parda” e se apresentou à população como candidato do PSDB à prefeitura de Jataí.

Nesse caso, está tentando se salvar do naufrágio que afundará a barca do atual prefeito e a do próprio partido que o está lançando, afinal, o PSDB jataiense resolveu brincar de oposição de olho na vaga de vice prefeito do PMDB e sendo impedido pelos caciques do seu partido, restou a alternativa de lançar candidatura própria. Como seus líderes, o inexpressivo vice prefeito Adilson Moraes, o fiel escudeiro do atual prefeito Vinícius Luz e o “mutante” Ediglan Maia (dublê de oposição) que, certamente, não conseguiriam emplacar “meia dúzia de votos”, foram preteridos e os membros partidos resolveram apostar na “iminência parda” Victor Priori.

Retornei a Jataí há quinze anos e até poucos dias não conhecia, sequer através de fotografia, a imagem de Victor Priori. Como não sou afeito à leitura (leia-se ver fotografias) das publicações que exaltam a elite e classe média local, não havia tido a oportunidade de ver a face do empresário que ora se lança em busca do cargo de prefeito de Jataí. Somente agora que o mesmo se lançou na política, tive a oportunidade de ver a sua foto postada num dos blogs de notícias locais.

Creio que a maioria da população esteja na mesma situação, ou seja, seriam incapazes de reconhecer o senhor Victor Priori nos locais públicos da cidade. Então, eu pergunto: baseado em que a “iminência parda” resolveu abandonar a sua confortável posição de atuar nos bastidores da política para enfrentá-la?

Posso assegurar ao badalado empresário que a população não está mais tão desiformada e incapaz de fazer uma leitura tão básica como esta de sua candidatura. Uma coisa é ficar nos bastidores, outra bem diferente, é se posicionar à frente e encarar as críticas e os enfretamentos que a política impõe. Outro detalhe, na “democracia burguesa” que impera no Brasil, é quase impossível vencer uma eleição sem dinheiro, entretanto, nem sempre as elevadas somas de capital investidas nas campanhas dos legítimos burgueses conseguem emplacá-los.

Dois bons exemplos, guardadas as devidas proporções, foram a de Antonio Ermínio de Moraes e Evaristo Anania de Paula. O primeiro, um dos maiores empresários do Brasil, se lançou na política tentanto ser governador de São Paulo e que teve uma votação pífia. O segundo, um dos empresários de maior sucesso em Jataí, se lançou na última campanha tentanto conquistar a prefeitura e conseguiu a proeza de ser menos votado do que a vereadora Maria José, a mais votada dentre os candidatos à Câmara Municipal.

Como podemos observar, se apenas os altos recursos financeiros despejados nas campanhas eleitorais conduzissem os políticos ao poder, certamente, teríamos apenas homens ricos nos cargos públicos eleitos pelo povo, porém, existem outros ingredientes nesse processo que extrapolam a questão financeira.

Vamos aguardar a campanha para conhecer o senhor Victor Priori. Eu diria que se tomarmos como parâmetro a sua primeira entrevista concedida ao jornalista Izalter Francisco na Rádio Defusora de Jataí, onde ficou evidente a soberba do candidato, bem como, a sua falta de visão dos graves problemas sociais de nossa cidade e de um projeto político para o município, creio que sobrará espaço na caroceria da caminhonete do candidato e de seus aliados para carregar os eleitores que pegarão carona nessa candidatura oportunista.

Marquinho Carvalho




Marquinho Carvalho



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