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| “O Analfabeto Político e a Pirataria Intelectual” | 10/07/2008 | Foi publicado no site Jataí News (http://www.jatainews.com/noticias_ver.php?CdNotici=2682) um pequeno texto intitulado “O Analfabeto Político”, assinado por Gilberto Morais. A idéia central do texto é a crítica aos indivíduos alienados politicamente. O tema é bastante oportuno, afinal, estamos entrando no período eleitoral.
Tudo estaria perfeitamente contextualizado, porém, um detalhe extremamente importante me chamou a atenção. O dito autor das argumentações que apontam o “analfabeto político” como co-responsável pelas mazelas em nossa sociedade, não teve a ética de apresentar os devidos créditos ao verdadeiro autor do texto.
“O Analfabeto Político” é uma poesia escrita há mais de meio século pelo revolucionário, poeta e dramaturgo alemão Bertold Brecht (1898 – 1956).
A pirataria foi um dos mecanismos espúrios que contribuíram de maneira fundamental para o enriquecimento da Inglaterra, principalmente, durante o período da história denominado de Idade Moderna, época das “grandes navegações” e do intenso comércio entre as colônias da América e as metrópoles européias.
A pirataria típica desse período era feita através de navios que atacavam e saqueavam as embarcações que zarpavam carregadas de matérias-primas e metais preciosos das colônias em direção à Europa.
Esse tipo de pirataria resultava da apropriação efetiva dos bens alheios. Com o decorrer dos anos surgiu o termo “pirataria intelectual”, desingnando a subtração de idéias e projetos de outrem. Nesse caso, não há uma apropriação de alguma coisa concreta de outra pessoa ou instituição, e sim, algo, digamos, “virtual”, como os fantásticos projetos industriais, arquitetônicos, biotecnológicos etc, até às grandes teorias filosóficas e criações literárias.
Voltando à poesia de Bertold Brecht, tenho absoluta consciência de que a negação do “ser político” inerente a todos os seres humanos propicia, efetivamente, o surgimento de possibilidades para que políticos vigaristas ocupem o espaços de decisões importantes para a sociedade. Mas não posso deixar de mencionar que o “analfabeto político” só é possível devido à falta de educação e às barreiras que impossibiltam as pessoas de terem acesso à informação.
A comprovação disso está na própria incoerência do “pretenso” autor do texto publicado no site Jataí News, afinal, ele critica a “ignorância política” e conclui afirmando: “...só assim nossa cidade se desenvolverá com obediência às leis e respeito às famílias.”, entretanto, ao omitir a informação sobre o verdadeiro autor dos escritos, acabou agindo como um “pirata intelectual” e faltando com respeito à memória do revolucionário alemão e a todos nós que tivemos acesso à publicação.
Não conheço o responsável pela pseudo-autoria do referido texto, portanto, não o acusaria jamais de estar agindo de má fé, e até acredito na sua boa intenção ao sociabilizá-lo com os internautas, todavia, isso não o isenta da terrível falha de ter ocultado a informação sobre o verdadeiro autor da poesia:
“O Analfabeto Político”.
O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe,
da farinha, da renda de casa,
dos sapatos, dos remédios,
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro
que se orgulha e enche o peito de ar
dizendo que odeia a política.
Não sabe, o idiota,
que da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos
que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto
e lacaio dos exploradores do povo.
Bertolt Brecht - dramaturgo e poeta alemão (1898 - 1956)
Marquinho Carvalho
Marquinho Carvalho
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